28 de ago de 2010

Pacífica de Guelfúccio de Assis



Bem - Aventurada Pacífica de Guelfúccio de Assis (1168- 1258)


Pacífica é irmã de Bona. Filhas de Guelfuccio, que era filho de Bernardo de Guelfo. Importante família que residia também na praça de São Rufino em Assis. Pacífica é a primeira irmã interrogada no Processo de Canonização. Afirma que conheceu Santa Clara ainda na casa de seu pai, pois era sua vizinha e meio parente, uma vez que entre a sua casa e a de Clara havia somente a praça, e muitas vezes, se entretinha com ela. Afirma também que conheceu Hortolana e que foi com ela à Terra Santa e ao Santuário de São Miguel e a Roma. Bona, sua irmã, que não foi clarissa, depondo no Processo, diz que conheceu Santa Clara desde o tempo que estava na casa de seu pai, pois vivia e estava na casa com ela. Bastam estes particulares  para demonstrar a grande intimidade que existia entre a família de Clara e aquela de Guelfuccio. Não foi Pacífica e nem Bona que acompanharam Clara na noite da fuga de casa. Bona assinala que estava, na ocasião, passando a quaresma em Roma. A Legenda apenas diz: “...cum honesta societate”, frase que na idade média significava: “com pessoa de seu nível social”. Pacífica afirma que “entrou em Religão juntamente com Clara”. Não parece provável, contudo que a tivesse seguido em São Paulo das Abadessas ou Santo Ângelo de Panzo, mas somente quando Clara já estava em São Damião, em maio de 1211. Viveu em São Damião por mais de quarenta anos, com exceção de um ano, em que foi mandada ao Mosteiro de Valleglória de Espelo, para transmitir as observâncias de São Damião às Irmãs daquele lugar. Isso deve ter ocorrido provavelmente entre os anos de 1248 e 1249. Em Valleglória, conforme o cronista franciscano Lucas Wadding, autor dos Annales Minorum, aconteceu um fato fora do comum: aquele Mosteiro de Espelo sofria de escassez de  água; Pacífica teria então reunido as Irmãs em oração; suplicaram, obtendo a necessária  água. Dentro do claustro foi vista uma belíssima corça que, com suas unhas, cavava a terra. Fez assim brotar ante os olhos da Irmãs  uma abundante fonte límpida onde antes era um lugar seco e árido. Nesse claustro as Irmãs construíram um poço. Esta narração, elaborada pelos estudiosos do século XVI parece inspirada pelo Salmo 41. Oferece uma interessante chave de leitura para explicar a eficaz obra de reforma atuada pelas damianitas numa comunidade já  existente. No caso de Valleglória, o mosteiro pertencia à Ordem Camaldulense, sob a obediência do Abade do Monges de São Silvestre, que ficava sobre o Monte Subásio, não muito distante de Valleglória. A intervenção de Irmã Pacífica traz àquela comunidade já seca espiritualmente a água nova, representada pela pobreza evangélica vivida em São Damião. Segundo se diz, Pacífica teria morrido aos 90 anos de idade, em 1258, no Mosteiro de São Damião.

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