28 de ago de 2010

Inês de Opórtulo de Bernardo de Assis



Bem - Aventurada Inês de Opórtulo de Bernardo de Assis (+1261)


Inês, décima testemunha no Processo de Canonização de Santa Clara, vem designada como filha do falecido Messer Opórtulo de Bernardo que foi podestá  ou prefeito da Comuna de Assis no período de maio de 1225 a maio de 1226, época muito tumultuosa por causa de lutas internas. Podestá era o magistrado que tinha autoridade suprema nas comunas italianas na Idade Média, com um tempo limitado de governo; no caso da tradição de Assis, por um ano. Opórtulo de Bernardo renovou a aliança da Comuna com os cavaleiros e nobres de Perúgia, o que foi causa da excomunhão lançada pelo Bispo Guido em 1225. A paz com o Bispo foi garantida somente depois em 1226, graças à intervenção de São Francisco de Assis. Quando desceu do Alverne, retornando a Assis, estando hospedado em uma cabana no jardim do mosteiro de São Damião, sendo cuidado por Clara e pelas irmãs, Francisco ficou ciente do problema escandaloso da divergência entre o Podestá e o Bispo, talvez através da própria Inês. Então, para realizar a paz entre eles, compôs e acrescentou uma estrofe sobre o perdão e a paz ao seu Cântico do Irmão Sol. Enviou depois alguns frades para que cantassem o Cântico na praça, diante do Bispo e do Podestá, ambos abraçaram-se e fizeram as pazes, fazendo assim cessar o escândalo que provocacava toda a cidade. No Espelho da Perfeição narra-se como o Podestá  tinha para com São Francisco tão grande devoção e fé, que o escutava como se ouvisse o Evangelho do Senhor. Compeende-se muito bem esta sua profunda emoção pelo fato de que a filha, única entre dois irmãos, pouco mais que uma criança, estava já na época em que fizeram as pazes, há cinco anos encerrada entre as Damas Pobres de São Damião. Ela ingressou em torno do ano de 1220, ainda muito nova. Ela demonstrava-se bastante impressionada pelas  ásperas penitências a que Clara se submetia. Certa ocasião, pediu-lhe emprestado por três dias o cilício que usava, mas achou tão áspero que não pode suportar. Ficou muito tocada pelo exemplo de humildade de Clara e por seu forte espírito de oração, acompanhado pelo dom das lágrimas. Toda atenção de Inês está  centrada sobre a penitência e a oração praticada pela fundadora. Não refere nenhum caso de curas realizadas por Clara. Disse que esteve no mosteiro sob os cuidados de Clara uns trinta e três anos. Morreu em 126l.

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